O que é ser guardiã em abrigo
É primeiramente uma missão, porque é por em pratica o principal ensinamento do CRIADOR, o amôr ao próximo.
Se propor a trabalhar no abrigo é muito mais do que dar casa, comida e roupa lavada.
A principio acolher os que são vitimas da ação e omissão da sociedade e do estado em função do PPP ( pobreza de políticas públicas) motivo este que nunca aparece nas estatisticas como justificativa na medida de proteção e muito menos no PIA ( Plano Individual de Atendimento) exigido pelo judiciário.
É se doar de corpo e alma, garantindo aos acolhidos tudo o que deveria ter recebido da família, da sociedade e do estado.
É oferecer proteção integral em ambiente com Cara, Tamanho e Jeito de Casa, cujo primeiro objetivo é resgatar e fortalecer vínculos fragilizados
É acolher sem olhar as diferenças mesmo que venham a ser vistos com indiferença por parte da sociedade e do estado.
É abraçar sem criar vínculos, é sorrir sempre sem se deixar abater com os obstáculos do dia a dia.
É passar noites sem dormir zelando pelo bem estar de recém nascidos prematuros com apenas semanas de vida, sabendo identificar o tipo de choro quando é de incomodo, quando é de fome e quando é por abstinência a drogas.
É ter o a necessidade de fazer um convenio médico para uma criançae se ver impossibilitado, porque aguardaremos meses para que seja providenciada a certidão de nascimento por parte do judiciário.
É invadir hospital requerendo socorro para salvar uma pequena vida que agoniza, e sair vitorioso com a recompensa do pequeno ser que venceu a morte após ser socorrido.
É ter esperança que um dia as crianças realmente sejam prioridade absoluta conforme a lei prevê, principalmente na area de saúde cujos encaminhamentos muitas vezes dependem de Centrais de Agendamento e para garantir o direito de prioridade temos que usar do QI ( quem indicou)
É ter atitude e coragem de cobrar mudanças na “REDE”, tecida por uma sociedade que se diz organizada e que muitas vezes calam-se nas reuniões se esquecendo quantos morreram para garantir a liberdade de expressão e de organização para chegarmos aonde chegamos.
É lidar com inveja, pré julgamentos, preconceitos, descaso, calunia, difamação dos que não tem coragem de abraçar a causa, mas tentam mostrar a eficiência atirando pedras, que para nós terminam alicersando mais nosso trabalho . O fruto da justiça semeia-se na paz para os que exercitam a paz "Tiago 3"
É acreditar que o investimento na família ocorrera respeitando-se o tempo da criança, para que ela não venha a ser penalizada a viver fora do seio familiar , e que os crimes previstos que geraram acolhimento seja passiveis de penas conforme prevê o ECA.
É vivenciar o choro calado embaixo das cobertas, dos que não consegue dormir longe de sua familia, vendo a medida de proteção como mais uma violência.
É ter esperança de mudanças sem morosidade, para que o Acolhimento Institucional não continue sendo um corredor de espera. Auxiliar uma familia exige compromisso politico para que os discursos virem ações mais concretas que permitam transformações no seio familiar a curto prazo.
Esperar que o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente Covivência Familiar e Comunitária saia do papel através de ações concretas, e discutidas nas conferencias quais as acões que não foram realizadas, para que sejam cobradas pela sociedade e pelo Ministério Publico.
É lidar com os que se consideram atropelados, porque vivem na INÉRCIA se incomodando com resultado do trabalho dos outros ao invés de mostrar os seus resultados.
É acreditar que a tão falada “Fé Pública” quando colocada no papel, não seja contaminada pelo “ÉGO” pessoal dos que não aceitam as discordâncias e terminam sugerindo revitimizar os que já foram acolhidos pela Omissão da Sociedade e do Estado.
É ter coragem de requerer um SIM, mesmo tendo a certeza do Não, na tentativa de garantir ao adolescentes participarem das decisões que lhes afetam assegurando a eles o direito de serem ouvidos ao invés de serem revitimizados com a quebra de vinculos construidos na instituição e na comunidade.
É esperar que haja maior integração entre os abrigos, setor técnico do judiciário, discutindo os casos conjuntamente acreditando que o outro possa contribuir para a brevidade do acolhimento e principalmente evitando a separação de grupo de irmãos. Todas as vezes que a opinião do abrigo é ignorada, o tempo mostra quem tem a razão.
É ter esperança que, a sociedade melhor se aproprie do tema adoção e passem a entender que é necessário uma família para criança e não uma criança para família. Sonhos de ter uma familia é o que predomina na cabeça da criança e do adolescente que vivem nos abrigos, e infelismente viram pesadelo para os excluidos do perfil desejado da maioria dos pretendentes a adoçãoa. Não existe criança inadotaveis, existe sim casais despreparados para adoções tardias.
É esperar que, quando a criança for desacolhida para família biológica ou substituta haja o monitoramento desta família por um período de tempo mínimo de 1 ano, no sentido de prevenir o reacolhimento ou a devolução da criança que após anos da adoção concretizada venha a ser devolvida e nenhuma punição é imposta a quem devolve o filho ao abrigo.
É vivenciar disputas juridicas para obter a guarda de uma criança, quando poderia ter sido evitado se os relatórios técnicos do abrigo fossem vistos com mais respeito .
É acreditar que um dia todos os processos de adoções sejam custeadas pelo estado .
É acreditar na co responsabilidade do Estado, da Familia e de uma sociedade mais participativa na solução dos problemas que envolvem crianças e adolescentes, principalmente valorizando com muito respeito os que trabalham no regime Acolhimento Institucional acreditando que todos possamos fazer parte da solução .
É ter esperança que a nível nacional, tenhamos trabalhadores vocacionadas nos programas cujo regime Acolhimento Institucional.
É recolher as pétalas e tentar recompor a flor com as seqüelas que o tempo jamais apagara, mas com a esperança de um futuro jardim para a flor.
"Ninguem, por mais poderoso que seja pode afirmar que jamais precisara do próximo. Mesmo o filho de DEUS necessitou de ajuda quando carregava os nossos pecados a caminho do calvario "
Feliz o que pode ajudar os que necessitam serem ajudados. Ebenézer
Antonio Fernando de Souza